Por Roberto Bergoci
STF pode investigar Bolsonaro por possível envolvimento na morte de Marielle Franco
Burguesia já pensa em descartar o proto-fascista?
Segundo a edição de hoje do Jornal Nacional, o assassino da vereadora do PSOL Marielle Franco, e seu motorista Anderson Gomes, mortos no dia 14 de março do ano passado, esteve pouco antes do crime no condomínio onde mora Jair Bolsonaro na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. De acordo com o jornal, registro da portaria do condomínio onde mora o principal suspeito do crime, o Sargento aposentado da Policia Militar Ronnie Lessa, mostra que poucas horas antes dos assassinatos um outro suspeito, o ex-policial militar Elcio de Queiroz esteve no local dizendo que iria à casa de Jair Bolsonaro-- na época deputado-- mas acabou indo para a residência de Lessa.
Segundo o jornal O Globo, às 17h10 do dia em que Marielle e Anderson foram mortos, o porteiro registrou no livro de visitantes o nome de Élcio, o modelo do carro, um Logan, a placa, AGH 8202, e a casa que o visitante iria, a de número 58. Élcio é acusado pela polícia de ser o motorista do carro usado no assassinato da vereadora e do motorista” (O Globo, 29-10-2019). De acordo com o depoimento do porteiro do condomínio, uma pessoa identificada como “Seu Jair”, havia autorizado a entrada de Elcio no local.
As supeitas sobre Bolsonaro crescem, pois de acordo com relato do porteiro, publicado pela Revista Forum, “O funcionário ainda informa que percebeu que Élcio não foi para a casa que informou que iria e voltou a ligar para a residência de Bolsonaro. Mais uma vez ‘Seu Jair’ confirmou que sabia para onde iria Élcio” (Revista Forum, 29-10-2019). Segundo a Policia Civil, Bolsonaro estaria em Brasilia no dia, mas as câmeras de segurança do condomínio serão investigadas. De acordo com o Jornal Nacional, o caso deverá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por ter sido citado o presidente da republica.
Ainda é cedo para fazermos uma análise mais precisa sobre o fato, mas não podemos desprezar que o principal jornal da burguesia brasileira, expondo de tal forma um presidente da republica em pleno horário nobre, sugere que após ter feito o serviço sujo para as classes dominantes e sobretudo ao capital financeiro imperialista, Bolsonaro pode estar tendo seu prazo de validade vencido, ainda mais diante de uma conjuntura de agravamento da crise capitalista no país sem as menores indicações de melhoras; e o avanço da luta operária em boa parte do continente contra os governos fantoches de direita neoliberal. Diante da possibilidade de uma conjuntura de ingovernabilidade burguesa, as classes dirigentes estariam planejando descartar Bolsonaro preventivamente, apostando numa saída bonapartista mais sólida, visando dessa forma evitar um “Chile” brasileiro, que certamente desestabilizaria toda a América latina enfraquecendo os ataques neoliberais e pondo em cheque a própria geopolítica imperialista.
Também não podemos descartar a possibilidade de a grande burguesia mais uma vez apostar nos serviços do pelego- mor Lula da Silva, como tem feito as classes dirigentes argentinas recorrendo novamente ao peronismo moderado, que poderia conter até certo ponto o movimento operário. Lembremos que a primeira gerência Lula foi parte de uma jogada de xadrez preventiva do grande capital “nacional” e internacional; mas tudo será decidido na arena da luta de classes, tornando imperiosa a rearticulação do movimento operário brasileiro, que atropele as direções burocráticas e traidoras dos sindicatos e MST.
Mais do que nunca, faz-se necessário uma frente de lutas revolucionária contra Bolsonaro e os ataques neoliberais, que tem feito retroceder historicamente as condições de existência das massas trabalhadoras. Além disso, é preciso uma articulação centralizada dos movimentos operário e popular de toda a América Latina contra o imperialismo, o capital financeiro e os gerentes da direita semi-colonial em nossos países. Ventos rebeldes prometem para nossa América.

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