segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Pastiche de um lado, crise de direção de outro

por Mário Medina
É até um contrassenso o Bozo ter estabilidade no cargo de presidente com tudo isso que tem acontecido em seu governo e em seu partido. Tem muita contradição, tem impopularidade, tem tudo. Mas a elite parece se dar por satisfeita em apenas desgastá-lo com vistas a tirá-lo de lá em 2022.

Política é um negócio muito maluco mesmo. Vejam como fica difícil de estabelecer um prognóstico de médio prazo, o que dirá de longo prazo!
O mais provável, que a gente apontava desde o início, era que ele fosse colocado de lado em tempo recorde. Depois da reforma previdenciária talvez. Não teria mais funcionalidade ao sistema. E de fato pode ser que isso aconteça. As condições estão dadas. Mas fica mais ou menos nítido que o Bozo, a despeito de todas as suas inapetências, também não depõe contra o rumo geral do desmonte, o que faz com que o imperialismo deixe ele lá fazendo suas bizarrices.

É uma política de circo. Ele acabou com o tédio na política. Ele trouxe paixão, discórdia, intrigas, dramas, rompantes, etc. Populismo barato, lógico, mas que pela relevância dos cargos em jogo coloca um país inteiro em estado de expectativa, em estado de leitores de novela chinfrim. Estamos reféns de um circo. Reféns de um pastiche. São intrigas palacianas que dão pra gente se entreter. Enquanto que no congresso e no ministério da economia o rolo compressor da austeridade vai garantindo os recursos da banca ao passo que elimina direitos sociais e trabalhistas.

Só uma forte mobilização popular colocaria em xeque tudo isso. Enquanto tem estabilidade na produção, ordem nas ruas, a situação vai sendo empurrada com a barriga pelos donos do poder.

Nosso maior problema é a crise de direção. Com uma esquerda dessas, que só pensa em eleição, que fica protelando pra daqui a 3 anos uma possível alternativa (que nada e ninguém pode assegurar que vai dar certo), não existe possibilidade de quebrar o ciclo e reverter a situação. É uma esquerda neoliberal. Quando estavam no governo se comprometeram com essa política. Agora na oposição agem como a oposição de direita também age. Tentam comer pelas bordas esperando seu verdadeiro momento de ação, que é a eleição. Mobilização popular pra que, né? Só tomam lugar nas mobilizações populares quando a coisa desanda muito. Aí eles saem dos gabinetes, fazem média, fazem discursos, fazem tratativas pra reestabelecer a ordem, colocam panos quentes, se dizem paladinos da democracia, etc, etc. Porque são políticos profissionais, porque não pensam a política para além da institucionalidade.

E, como o Equador mostra agora, pra reverter certos processos de golpe e política anti-popular, a massa tem que sair às ruas e partir pra ação direta.

Vocês conseguem imaginar um desses deputados organizando uma insurreição popular?  Eu só consigo imaginá-los naquilo que é de hábito deles: campanha eleitoral ou debates no parlamento. Assim como a burocracia sindical, que não quer saber de abandonar a zona de conforto.
Só essa inação toda em combinação é que explica o Brasil continuar com uma presidência dessas.

Coringa / Clownesco impactante!

Alerta de spoiler *


Fui ver o Coringa. Muito bom. Gostei bastante. O filme de Todd Philips foi muito feliz em captar o espírito do nosso tempo. Retrata com excelência a atual conjuntura social e política, a cultura das grandes cidades, sua realidade neurótica, caótica e desumana.

Quem foi ao cinema desavisado, esperando ver um inocente filme sobre vilões de quadrinhos, deve ter saído perturbado. Eu, que fui ciente de que o filme seria carregado de drama e crises existenciais, saí de lá de certa forma surpreso pelo peso psicológico da obra. Não é um filme comum. Foge definitivamente às características do padrão blockbuster e adere ao hiper realismo.

Quem é Coringa?

O personagem Coringa é um palhaço ruim, que não tem graça, sujeito desdentado e fudido, com sérios problemas mentais, com um problema de riso compulsivo que sempre o coloca em situações embaraçosas; um sujeito que se vê desassistido pelo serviço público de saúde, que nega seu tratamento alegando cortes no orçamento.

Perde o emprego após sofrer uma horrorosa surra de meninos de rua. Em seguida descobre ser filho adotado e que sua mãe é louca; além de ser humilhado publicamente pelo humorista que mais admira. Uma desgraça completa a vida do personagem. Decide então ir à forra. Munido de um tresoitão adota um perfil extremamente violento e vingativo.

O retrato do nosso mundo

O contexto social de Gothan City é uma imagem praticamente fiel da última década, um sombrio retrato da crise neoliberal que engendra violência e caos social, crises subjetivas e descontentamento em massa.

O filme sugere ondas de rebelião popular que podemos muito bem comparar ao que se vê agora no Equador e no Chile, por exemplo, de massivas manifestações contra o sistema, de revolta contra os ricos e de resistência popular perante a barbárie cotidiana.

Coringa, apesar de despolitizado e alheio às mobilizações sociais que o cercam, serve de estopim para a fúria da massa, que se rebela e cobra sangue.

A massa sempre quer sangue. Na sala de cinema o público se regozija com a colérica e selvagem rebeldia. É o momento da catarse, de simbologia da revanche popular, do desagravo da plebe enfurecida.

Semana retrasada eu falava aqui sobre Bacurau, o nosso Tarantino do sertão, história de resistência e de muito sangue. Curiosamente tem sido, junto a Coringa, o filme mais comentado recentemente. Parece que a tendência é mesmo essa. As ruas da América Latina dão o tom da revolta e do espírito de enfrentamento.

Outra coisa que me chamou atenção no filme foi o caráter clownesco. Foi na verdade uma grata surpresa. Não havia visto nenhum comentário nesse sentido. O clown de Todd Philips, interpretado magnificamente por Joaquin Phoenix, dá um toque de sutileza e de poesia ao enredo. O personagem Coringa traz traços bem definidos de arte clown, mais especificamente de clown Augusto, vagabundo, marginal. É o elemento anti social, desviante, bizarro, que não se adequa socialmente, elemento subversivo, anárquico, dionisíaco, disruptivo.

Esse filme é revolucionário, de forte crítica social. Vale a pena conferir.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Situação no Chile já indica: está aberta a temporada das revoluções

Por Eduardo Morelli



Como o esperado e até mesmo antecipado nos últimos cinco anos, a onda de apropriação do poder por parte do Capital financeiro e da Direita em diversos países latino-americanos (e em outros países do Mundo globalizado) já começa a encontrar os obstáculos intransponíveis previstos.

O quadro político em nível planetário pode mergulhar num encadeamento de rebeliões sem paralelos. Esse novo horizonte de eventos é aguardado tanto nos países da periferia quanto nos do centro. Em perspectiva há o aprofundamento até certo ponto inédito da atual crise capitalista global – que a partir de 2019 – adentrou numa etapa mais aguda e terminal. Os próprios economistas de mercado já não dormem mais tranquilamente ao verem a possibilidade de não encontrarem brechas de crescimento econômico diante dos números apresentados por algumas economias em desaceleração como China e EUA. Embora alguns economistas de mercado falem em um “ciclo” como o de 2008 que seria mais dia menos dia “superado”, muitos outros já demonstram com dados reais que a saída dessa crise (que aliás é a continuação do choque de 2008) pode não ter válvula de escape conhecida pelos dispositivos tradicionais – ou seja – pelos regimes que dissimulam uma Democracia mais ou menos pacífica. A preocupação também por parte das potências industriais do Mundo como EUA e Alemanha é com a falta de algum fato que consiga dar “reset” no sistema, ou seja, a ausência de uma guerra mais abrangente que possa queimar a superprodução de capital e evitar o colapso do sistema.

Na América Latina, o mal estar da população já é visível e já aponta para uma situação de impasse futuro. Isso já é perceptível até mesmo no Brasil. Embora haja paralisia da população em relação a um governo de ataque declarado aos aspectos basilares da civilização, ou seja, onde não só ocorre a destruição da natureza de modo aberto, despudorado, como também a exploração da população assalariada de forma amplamente descarada, a paralisia dará lugar em algum momento futuro a uma explosão de ânimos que pode não ser devidamente contida como aquela das jornadas de Junho de 2013.

A insatisfação popular com a nova onda neoliberal na América Latina já dá as caras em nações vizinhas. O Equador viu a explosão de sua população no início de Outubro quando o país golpeado em 2017 por facções neoliberais firmou compromissos com o Fundo Monetário Internacional no sentido de esfolar o povo e privatizar tudo que restava do país para os tubarões do Capital internacional. A gota d’água foi o aumento de 123% dos combustíveis. Embora as manifestações tenham sido grandes o bastante para o usurpador Lenín Moreno recuar no aumento dos combustíveis, o governo ainda não caiu. Esse fato é importante de ser analisado porque quando a “maré azul” foi iniciada no continente, ou seja, a onda de assaltos ao poder por parte da direita, o objetivo não era o de abandonar o poder tão cedo. Há toda a indicação de que a “maré azul” pretende se perpetuar por meios de exceção, sendo que o único freio possível para essa violência é a organização de luta da população.

Os EUA impuseram um novo código de conduta em suas colônias latino-americanas onde não há espaço para negociar, muito menos ceder. O problema até certa medida inesperado é que o povo do Equador perdeu a “esportiva” mais cedo do que o planejado. No Brasil, esse impulso da direita em não ceder terreno fica muito evidente no caso da prisão ilegal do ex-presidente Lula, que permanece preso sem amparo da constituição e sem ao menos comprovação de crime cometido. Esse fato revela que a direita se preocupa com a instabilidade social decorrente de um Lula solto em meio a um governo terceirizado para esfolar o povo. Uma livre circulação de Lula pelo Brasil poderia facilmente desencadear um crise política enorme no Brasil – mesmo que Lula seja um conciliador, um negociador de tensões.

As Forças Armadas sabem dos riscos presentes e joga com os seus recursos atuais mantidos ainda numa esfera de indiretas, via redes sociais ou via imprensa. O problema é que a terceirização das instâncias judiciais ainda é um fato complexo, o que força os militares a considerarem um Golpe de Estado futuro. As Forças Armadas, em todas as nações do Planeta Terra são a última garantia possível que as burguesias tem à disposição para controlar os ânimos. O problema neste caso é que querer não é o mesmo que poder. A operação “de volta a 1964” não é tão simples como imaginado.

Na Argentina, outro país explosivo e complexo como o Brasil, a situação de insatisfação generalizada com o governo neoliberal de Maurício Macri já se manifesta com grande desenvoltura via legal. As eleições deram a vitória ao bloco Kirchnerista. Este fato é curioso porque como mencionado, a direita continental não está disposta a ceder, mas quando o assunto é um país de forte organização política do povo, talvez esta seja uma possibilidade temporária pequena. Ainda assim não é possível cravar que o governo de Alberto Fernández venha a tomar a rota totalmente contrária daquela do Macri. Não há ainda elementos para saber se o bloco Kirchnerista é uníssono o bastante para não ser cooptado pelo capital internacional. Em outras palavras, existe a possibilidade de que a direita neoliberal ainda tenha a situação do país sob controle.

No México, a Direita cedeu abertamente para a ascensão de AMLO (Andrés Manuel Lopez Obrador) em 2018, entretanto se não o fizesse, o país mergulharia em caos e revolta no quintal dos EUA num momento que isso não é desejado. Não existe a menor garantia que o México não seja o foco de golpes de estado da direita em futuro próximo – ainda mais se considerarmos que não se sabe exatamente o papel desempenhado pelos poderosos narcotraficantes mexicanos que detém uma participação ampla na vida política do país. Seriam os carteis mexicanos aliados da direita neoliberal? Há essa suspeita no ar da mesma maneira que os brasileiros estão descobrindo que as milícias são aliadas não só da burguesia brasileira como possivelmente do imperialismo de conjunto.

Na Bolívia, a reeleição de Evo Morales foi permitida com restrições. Já há a movimentação por parte da OEA de emplacar a mesma política de golpe aplicada na Venezuela contra o governo Maduro.  Nos demais países, a conquista política da Direita tende a se manter a não ser que o povo tome a atitude dos chilenos.

No Chile há uma rebelião nacional contra Sebastián Piñera. O quadro político e econômico chileno é ainda mais crítico e delicado do que outros países porque o país é o laboratório de experiências neoliberais radicais desde a ditadura Pinochet. O Chile é conhecido mundialmente por ter sido o primeiro do país do mundo a adotar medidas neoliberais na sua economia com uma ditadura militar sanguinária. Aliás, o choque neoliberal do Chile só poderia ter sido emplacado numa ditadura. A revolta atual dos chilenos é muito mais abrangente e histórica do que apenas os acontecimentos dos últimos 5 anos na América Latina. A insatisfação chilena é uma experiência histórica de ao menos 40 anos que só agora está emergindo, daí o teor revolucionário das manifestações.

Piñera irá ceder? As forças armadas do Chile estão ainda relutantes em dar um golpe de estado para controlar os ânimos pelos mesmos motivos do Brasil, ou seja, não há garantia de tranquilidade – mesmo com um golpe militar. Resta a Piñera tentar ceder até acalmar o povo – fato este muito difícil. Se continuarmos nesse ritmo, o governo deve cair em breve.

A única preocupação real a ser mencionada sobre o país vizinho é a ausência de um direcionamento das massas. Manifestações sem rumo tendem a enfraquecer e serem instrumentalizadas pela direita, exatamente como ocorreu no Brasil em 2013. Diante do mal estar gerado pelo custo de vida nas grandes cidades do país, e um aumento abusivo no preço das tarifas de ônibus e metrô, a população se levantou contra o status quo, entretanto, o caráter anarquista e confusionista do movimento foi rapidamente neutralizado pela direita e por todo o aparato midiático no sentido de canalizar os ânimos contra o Partido dos Trabalhadores. Tão logo a poeira baixou e em 2014 a Operação Lava-Jato se inicia com o propósito de servir de plataforma para um engenhoso golpe de estado pela direita, obtido com sucesso em 2016.

É apenas uma questão de tempo para o Brasil mergulhar num caos econômico e social que levará a população a uma reação. Em nosso caso particular, há ainda todo o aprendizado acumulado dos anos anteriores onde houveram movimentos de resistência contra o golpe e contra a prisão política do ex-presidente Lula. Esse aprendizado sobre o modus operandi da direita deve ser aproveitado e somado às novas mobilizações futuras. Não discutimos mais se haverá ou não revolta popular no Brasil. As revoltas são inevitáveis diante de uma violência econômica absurda. Nenhum povo ao longo da história aceitou pacificamente grilhões e humilhações. Há sempre lutas e resistências. A questão é saber quando. Será 2020? Será 2021? Não sabemos. O aprofundamento da crise econômica mundial também é um fator a ser observado de perto. Até lá aprendemos pouco a pouco com a história.






José Eduardo Morelli

Professor formado em História, pós-graduado em História, Sociedade e Cultura e também em Filosofia e Pensamento Político Contemporâneo.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A situação da classe trabalhadora e a visão da pequena burguesia

Por Glauco Birochi


O pensamento da pequena burguesia que acredita prestar um grande serviço para a emancipação do proletariado:

“Vítima privilegiada das grandes transformações regressivas ocorridas no mundo e, em particular, do neoliberalismo, onde foram eleitos mais governos e os mais radicais, a América Latina reagiu como já poucos acreditavam possível. E se tornou a única região do mundo com governos antineoliberais, com processos de integração regional, com capacidade para reverter as fortes tendências à desigualdade social e ao aumento da pobreza e da miséria no mundo.
A América Latina ganhou o direito de definir sua história a partir da sua capacidade de reagir diante do modelo neoliberal e da globalização. Gracas à liderança de dirigentes como Hugo Chávez (Venezuela), Lula, Néstor e Cristina Kirchner (Argentina), Pepe Mujica (Uruguai), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), entre outros.
Agora a América Latina enfrenta os efeitos duradouros da recessão internacional iniciada em 2008, juntamente com os ataques das articulações direitistas internas, gerando crises em vários dos nosso países.
Neste momento, no meio da segunda década do século 21, podemos dizer que o futuro do continente está aberto. Ninguém pode garantir que os governos antineoliberais vão se consolidar definitivamente, nem tampouco que as tentativas de restauração conservadora vão se impor.”

Parte do texto de Emir Sader ( Blog na Rede – Rede Brasil Atual )


Esse não deve ser, de forma alguma, um argumento de algum alívio aos trabalhadores do Brasil de nossos irmãos latinos americanos. O nível de exploração e barbárie em que a burguesia, sob ditames do imperialismo, nos coloca todos à uma reflexão honesta, e num caráter radical de mudança social, para que não continuemos enterrados pela miséria imposta pela burguesia.
Os trabalhadores, a única classe realmente produtiva, que constrói toda a riqueza que a burguesia se apropria, não devem ficar comendo a hóstia amarga que lhes dão no dia à dia. Não somos cachorros para vivermos de restos que essa burguesia maldita julga que merecemos. Somos a base de sustentação da humanidade, toda riqueza é criada por nossas mãos. A classe parasita se apodera de tudo isso e tenta nos impor o silêncio, para que comamos o pão mofado e nos acomodemos com isso.

NÃO!!!

Os trabalhadores não se acomodarão diante da barbárie, da miséria, do fascismo e da repressão burguesa. Além, de sermos o povo ativo, somos a imensa maioria, explorada, indignada.  Mas na unidade classista somos a força capaz de fazer a grande revolução. Com nossos irmãos latinos, que já estão se insurgindo diante da miséria.

A Burguesia no Brasil, com seu PALHAÇO, FANTOCHE DE CABRESTO Bolsonaro, está arrebentando o país sob ordens dos Estados Unidos. A entrega das riquezas do povo brasileiro, empresas estratégicas, com tecnologia de ponta como Petrobrás, Embraer, Base de Alcântara, etc, não são o bastante para sanar a fome de riquezas do imperialismo. É necessário aniquilar com os trabalhadores impetrando a mais absoluta miséria através de reformas assassinas, arruinando, além de educação, saúde, políticas sociais de necessidades básicas dos trabalhadores. Esfacelam com mãos de ferro a previdência social, impondo a desesperança imediata aos trabalhadores e queimando numa pira infernal, o futuro das novas e próximas gerações do povo trabalhador.

Tudo isso ocorre sob os olhos acovardados de partidos reformistas acovardados, como PCdoB, PT, PSOL, PSTU, que escolheram a forma oportunista de atuação política, a via parlamentar, a mesma que a burguesia endinheirada põe seus representantes para nos ludibriar votando e depois nos tirando direitos. Dizemos não a esses palermas oportunistas!

A única forma de libertação do movimento operário, camponês, estudantil, de desempregados, sem-tetos, sem-terras, é a unidade dos oprimido contra a corja instalada no poder; construir a sua ferramenta de libertação, o partido da revolução proletária mundial. Só com nossa união poderemos empunhar as nossas armas e tomar de assalto os direitos que nos foram tomados.

A nossa unidade, de todos os oprimidos, deve romper com os epígonos da luta de classe e com todos os que buscam a via pacifista de diálogo com a burguesia. A libertação do proletariado será obra escrita e construída com as mãos do proletariado. Lula, Ciro Gomes, Boulos, Zé Maria e todos os lacaios do sistema, esses que impedem os trabalhadores de lutar, inclusive, ocupando ferramentas imprescindíveis para a luta da classe trabalhadora, ( OS SINDICATOS ), tem que serem tirados à força pelos trabalhadores e colocados na rua. Sindicato é para lutar, não para engordar dirigentes porcos a serviço da burguesia, contendo o ímpeto de luta da classe trabalhadora.

Pela emancipação de todo oprimido, de todos os negros, brancos pobres, mulheres, juventude, nossos irmãos idosos que batalharam para construir essa nação, por nossos irmãos latino_americanos oprimidos pela burguesia de seus países, nós, da TENDÊNCIA REVOLUCIONÁRIA / LQB, conclamamos a um LEVANTE MASSIVO EM NOSSA AMÉRICA LATINA PARA BARRAR O AVANÇO PREPOTENTE DO IMPERIALISMO ESTADUNIDENSE OU DE QUALQUER OUTRO PAÍS DE ORIGEM IMPERIALISTA. A história nos pertence e está do nosso lado.
TRABALHADORAS E TRABALHADORES, UNAMO-NOS NUMA LUTA SEM TRÉGUAS CONTRA OS PRODUTORES DA MISÉRIA!
AVANTE !!!




A Internacional

Hino

De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos de tal mundo
Sejamos nós, oh produtores!

Bem unido façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A internacional

Senhores, patrões, chefes supremos
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos
Para sair desse antro estreito
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós nos diz respeito!

Bem unido façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A internacional

O crime de rico a lei o cobre
O Estado esmaga o oprimido
Não há direitos para o pobre
Ao rico tudo é permitido
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres
Não mais deveres sem direitos
Não mais direitos sem deveres!

Bem unido façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A internacional

Abomináveis na grandeza
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu
Querendo que ela o restitua
O povo quer só o que é seu!

Bem unido façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A internacional

Nós fomos de fumo embriagados
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas
Nos quer à força canibais
Logo verás que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unido façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A internacional

Pois somos do povo ativos
Trabalhador forte e fecundo
Pertence a terra aos produtivos
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unido façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A internacional

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Bolsonaro contra as cordas!

Por Roberto Bergoci

STF pode investigar Bolsonaro por possível envolvimento na morte de Marielle Franco


Burguesia já pensa em descartar o proto-fascista?


Segundo a edição de hoje do Jornal Nacional, o assassino da vereadora do PSOL Marielle Franco, e seu motorista Anderson Gomes, mortos no dia 14 de março do ano passado, esteve pouco antes do crime no condomínio onde mora Jair Bolsonaro na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. De acordo com o jornal, registro da portaria do condomínio onde mora o principal suspeito do crime, o Sargento aposentado da  Policia Militar Ronnie Lessa, mostra que poucas horas antes dos assassinatos um outro suspeito, o ex-policial militar Elcio de Queiroz esteve no local dizendo que iria à casa de Jair Bolsonaro-- na época deputado-- mas acabou indo para a residência de Lessa.

Segundo o jornal O Globo, às 17h10 do dia em que Marielle e Anderson foram mortos, o porteiro registrou no livro de visitantes o nome de Élcio, o modelo do carro, um Logan, a placa, AGH 8202, e a casa que o visitante iria, a de número 58. Élcio é acusado pela polícia de ser o motorista do carro usado no assassinato da vereadora e do motorista” (O Globo, 29-10-2019). De acordo com o depoimento do porteiro do condomínio, uma pessoa identificada como “Seu Jair”, havia autorizado a entrada de Elcio no local.

As supeitas sobre Bolsonaro crescem, pois de acordo com relato do porteiro, publicado pela Revista Forum, “O funcionário ainda informa que percebeu que Élcio não foi para a casa que informou que iria e voltou a ligar para a residência de Bolsonaro. Mais uma vez ‘Seu Jair’ confirmou que sabia para onde iria Élcio” (Revista Forum, 29-10-2019). Segundo a Policia Civil, Bolsonaro estaria em Brasilia no dia, mas as câmeras de segurança do condomínio serão investigadas. De acordo com o Jornal Nacional, o caso deverá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por ter sido citado o presidente da republica.

Ainda é cedo para fazermos uma análise mais precisa sobre o fato, mas não podemos desprezar que o principal jornal da burguesia brasileira, expondo de tal forma um presidente da republica em pleno horário nobre, sugere que após ter feito o serviço sujo para as classes dominantes e sobretudo ao capital financeiro imperialista, Bolsonaro pode estar tendo seu prazo de validade vencido, ainda mais diante de uma conjuntura de  agravamento da crise capitalista no país sem as menores indicações de melhoras; e o avanço da luta operária em boa parte do continente contra os governos fantoches de direita neoliberal. Diante da possibilidade de uma conjuntura de ingovernabilidade burguesa, as classes dirigentes estariam planejando descartar Bolsonaro preventivamente, apostando numa saída bonapartista mais sólida, visando dessa forma evitar um “Chile” brasileiro, que certamente desestabilizaria toda a América latina enfraquecendo os ataques neoliberais e pondo em cheque a própria geopolítica imperialista.

Também não podemos descartar a possibilidade de a grande burguesia mais uma vez apostar nos serviços do pelego- mor Lula da Silva, como tem feito as classes dirigentes argentinas recorrendo novamente ao peronismo moderado, que poderia conter até certo ponto o movimento operário. Lembremos que a primeira gerência Lula foi parte de uma jogada de xadrez preventiva do grande capital “nacional” e internacional; mas tudo será decidido na arena da luta de classes, tornando imperiosa a rearticulação do movimento operário brasileiro, que atropele as direções burocráticas e traidoras dos sindicatos e MST.

Mais do que nunca, faz-se necessário uma frente de lutas revolucionária contra Bolsonaro e os ataques neoliberais, que tem feito retroceder historicamente as condições de existência das massas trabalhadoras. Além disso, é preciso uma articulação centralizada dos movimentos operário e popular de toda a América Latina contra o imperialismo, o capital financeiro e os gerentes da direita semi-colonial em nossos países. Ventos rebeldes prometem para nossa América.




Vazamentos de óleo no Nordeste

A destruição capitalista do meio ambiente e a cumplicidade criminosa do neonazista Bolsonaro



Desde o fim de agosto, 225 praias em 80 municípios, numa faixa de 2000 km da costa marítima do nordeste, já foram atingidas impiedosamente por uma quantidade imensa de óleo cru altamente tóxica. Especialistas tem afirmado que os danos podem ser irreversíveis para o meio ambiente, afetando gravemente as populações marisqueiras, pescadores e a própria economia nordestina, fortemente dependente do turismo que envolve  suas praias. Os danos ambientais, humanos e econômicos certamente serão enormes, afetando de imediato as populações originárias e trabalhadoras das regiões atingidas, agravando ainda mais as péssimas condições de sobrevivência do povo nordestino, historicamente desprezado e super-explorado pela burguesia sulista e racista brasileira, serviçais do imperialismo estrangeiro.

Até o momento em que elaboramos este texto, o presidente proto-fascista Jair Bolsonaro se mantém imóvel diante da gravidade da situação, negando-se a acionar o Plano Nacional de Contingência Para Incidente de Poluição Por Óleo (PNC). Na verdade, desde que assumiu o governo, no inicio deste ano, Bolsonaro promove um verdadeiro desmonte dos órgãos ambientais já sucateados pelos governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. O resultado disso tem sido uma verdadeira agenda de destruição ambiental, como dão mostras os recentes incêndios criminosos na floresta amazônica e o recrudescimento da matança dos povos indígenas, quilombolas e sem terras, com total apoio de Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, absolutamente comprometido com latifundiários e petrolíferas estrangeiras, predadores de nossa gente, nossas terras e nossos mares.

A gravidade dos vazamentos do óleo na costa nordestina é enorme. Enquanto isso, Bolsonaro e imprensa capitalista escondem os reais responsáveis pelo ocorrido. Até o momento nenhuma investigação séria foi levada adiante para averiguar as verdadeiras causas. Segundo especialistas, os vazamentos podem ter origem através do estouro de dutos em alguma plataforma marítima da Petrobrás, sucateada a serviço de sua privatização, ou mesmo serem decorrentes de fontes subterrâneas, relacionadas a possíveis danos em poços de petróleo do pré sal, doados às gigantes petroliferas estrangeiras por Temer e Bolsonaro através dos leilões entreguistas.

De qualquer forma, os verdadeiros culpados por tal tragédia são de fato o grande capital “nacional” e estrangeiro, predatórios, que não veem barreiras às suas necessidades de pilhagens e acumulação por espoliação do nosso povo; e os governos burgueses entreguistas de nossas riquezas, como o de Bolsonaro  por exemplo, responsável por uma verdadeira agenda de ataques contra os trabalhadores brasileiros e pelo desmonte via privatizações das principais empresas nacionais, como Petrobras, Correios, Eletrobras, Embraer, etc; empobrecendo nossa gente enquanto engorda ainda mais, os já robustos cofres dos parasitas capitalistas internacionais e “nacionais”, que são de fato os super-ricos em meio ao mar de miséria produzida pelo capitalismo em crise sistêmica.

Tendo em vista essa grave conjuntura, defendemos desde já, a formação de um Comitê de Investigação independente, formado por técnicos, populações afetadas e petroleiros, para averiguar de fato as causas e consequências dos vazamentos. Nenhuma confiança nos órgãos burgueses!

Diante da gravidade do momento em que vivemos e mesmo acompanhando os levantes classistas dos trabalhadores latino americanos, nós, do Coletivo Revolucionário-Tendência LQB, fazemos um sincero chamado à classe trabalhadora brasileira, seus agrupamentos da esquerda revolucionária, oposições sindicais, sindicatos de luta, movimento estudantil, popular e demais organismos de combate dos explorados e oprimidos, a somarmos forças numa Frente de Lutas contra a gerência do proto-fascista Bolsonaro e em defesa  de um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, única forma de barrarmos a barbárie capitalista que nos ameaça.


Coletivo Revolucionário-Tendência LQB



segunda-feira, 28 de outubro de 2019


"Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar.
Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce, floresce,
e depois desfolha."

Maiakóvski